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É a região mais complicada. Coaraci é
um absurdo. E a região de Campo Formoso também está terrível”, pontua.
Segundo ele, áreas como o Recôncavo e Irecê, por exemplo, estão menos
caras. “Quem tem ou teve prefeitura nas mãos está gastando muito. Os
empresários que são candidatos também", completa. Para outro postulante a
parlamentar, que estreia nas urnas, as tentativas de coerção assustam.
“Tem a galera que é direta. Que diz 'fui candidato a tal coisa e tenho X
votos. Se você quiser eu trabalho para você e o percentual é em cima
disso'.
Se trabalha só para o estadual é esse
valor, se incluir o federal, racha”, revela. O valor cobrado, segundo o
novato, é entre R$ 50 e R$ 75 – nos bastidores, a lei de “quem paga
mais leva os votos” é padrão.
“A tradição era que prefeito
não pedisse nada. Agora, eles dizem que não querem nada, mas dizem que
os vereadores precisam ser ajudados. A oposição das cidades sempre quer,
principalmente se for ex-prefeito”, relata a fonte ouvida pelo Bahia
Notícias. Além daqueles que detêm o controle de prefeituras e de
empresários, outra fonte de recursos para a campanha é
institucionalizada.
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“Tem
candidato ligado a sindicato que contrata gente e coloca material ‘a
rodo’. Quando comparam, eu respondo: esse dinheiro não é dele. Só não
posso dizer de onde é”, aponta. A estratégia dos candidatos ligados à
sindicato aparece também nas vendas indiretas. “Os que falam
indiretamente dizem que podem arrumar um grupo para trabalhar pro
candidato. E aí ganham um percentual em cima desse valor”, explica um
dos candidatos consultados. Apesar da reclamação, no entanto, todos os
candidatos que conversaram com a reportagem ainda não desistiram - como
outros tantos já fizeram.
Ainda assim, têm
uma fórmula para acabar com o mercado paralelo de votos. “Se não tiver
uma reforma ampla, não vai existir mais o político nato. E o voto
distrital vai piorar. As eleições tem que ser únicas, de vereador a
presidente”, defendeu um dos entrevistados, opinião semelhante à do
governador Jaques Wagner.
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